A viagem representa a conclusão de uma jornada iniciada quando partiram rumo ao extremo sul das Américas, o Ushuaia. Após ajustes no veículo em Passo Fundo, retomaram a estrada com destino ao extremo norte do continente.
A aventura ficou marcada por uma rotina regrada: enquanto Alan trabalha remotamente no segmento de análise de sistemas, Marina também segue com a formação acadêmica à distância.
— Temos uma vida normal de segunda a sexta-feira. Rodamos mesmo nos finais de semana — conta ela.
A adaptação à rotina na estrada, com limitações de espaço, água e luz, foi desafiadora nos primeiros meses, mas logo se tornou natural. Para que tudo funcionasse, o casal contou com uma aliada essencial: a internet via satélite, que possibilitou manter o trabalho e os estudos mesmo em locais remotos.
A vontade de viajar nasceu depois que Alan fez um intercâmbio na Irlanda, em 2013, e nunca mais perdeu o gosto por explorar o mundo. Marina entrou na jornada depois, quando ambos fizeram um mochilão pela América do Sul e Central durante um ano.
— Quando voltamos, percebemos que aquele estilo já não funcionava mais, especialmente por causa do trabalho. Aí surgiu a ideia do motorhome — explica Marina.
O veículo usado foi comprado em São Paulo e logo caiu na estrada. Desde então, passaram pelo Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Equador, Colômbia, México, Estados Unidos e Canadá. Para Marina, a chegada no Alasca tem um peso especial:
— Chegar ao Alasca depois de sair do Brasil e passar por Ushuaia é surreal. Foram tantos quilômetros, perrengues, risadas, paisagens de tirar o fôlego e momentos que a gente nunca vai esquecer. No fim, não é só sobre o destino, é sobre tudo o que a gente viveu até aqui. É olhar pra trás com o coração cheio e dizer "a gente conseguiu".
Durante a jornada de motorhome que levou o casal do extremo sul ao norte do continente americano, os dois vivenciaram paisagens e experiências únicas. Entre os destinos favoritos está a Patagônia, dividida entre o Chile e a Argentina.
— É uma região espetacular, principalmente no início do inverno, com montanhas cobertas de neve e lagos de um azul impressionante — destaca Alan.
Já Marina também se emocionou com a grandiosidade da natureza no Salmon Glacier, no Canadá. Ela descreve a vista como uma das mais impactantes da viagem.
Atualmente no Alasca, o casal pretende permanecer na região por cerca de dois meses, respeitando a rotina de trabalho e estudos que mantêm mesmo na estrada.
Após chegarem a Prudhoe Bay no sábado (26), o último ponto acessível de carro no extremo norte, o casal ainda deve cruzar o Círculo Polar Ártico e, se tiverem coragem, seguir uma tradição: entrar nas águas geladas do Oceano Ártico.
A vida na estrada em um motorhome é uma mistura de liberdade e desafios constantes. Para Alan e Marina, essa aventura não tem sido só sobre paisagens incríveis, mas também sobre aprender a lidar com os imprevistos do dia a dia, desde a escassez de recursos em lugares desérticos até sustos com falhas no veículo.
Cada dificuldade enfrentada se transforma em uma lição que fortalece a jornada e a relação do casal.
— Essa vida nos ensinou muito a resolver os problemas de uma forma diferente. Dividir a viagem em casal torna tudo mais leve, mas também tem que saber que vai passar por muitas coisas boas e ruins — afirma Marina.
A falta de água no motorhome virou um desafio constante e inesperado. Diferente da vida tradicional, onde abrir a torneira é simples, na estrada a água precisava ser medida e economizada.
— O que ninguém fala na internet é sobre a água no motorhome. Ninguém falou para nós que iríamos ficar, às vezes, três dias sem banho. A gente já chegou a ficar cinco dias sem banho no Atacama porque não achamos água — relembra Marina.
Enquanto países como Argentina, Brasil e Uruguai ofereciam água de forma fácil e gratuita, ao subir para o norte do Chile e Peru, a realidade mudou: até mesmo em campings pagos, faltava água.
— Hoje, qualquer banho que tomamos num chuveiro bom é uma felicidade. Essa vida de motorhome tem muitas fases — afirma.
Outros perrengues também precisaram ser enfrentados pelo casal: fogo no motorhome, após modificações elétricas mal executadas, e três meses sem geladeira. Durante o ano novo na Colômbia, os dois precisaram improvisar, usando gelo em baldes para tentar conservar os alimentos enquanto enfrentavam temperaturas de 40ºC.
Na Colômbia, a situação piorou e Marina e Alan ficaram praticamente sem refrigeração. A solução veio perto de Cartagena, onde um técnico conseguiu fazer alguns ajustes para a geladeira voltar a funcionar.
— Também ficamos sem aquecedor em um frio de -5ºC. Dormíamos de luva e touca para aguentar o frio. Até as bebidas dentro de casa congelavam, de tão frio — relembra.
Para Alan, apesar de parecer uma loucura, seguir toda a Rota Pan-Americana é a experiência mais incrível que ele já viveu:
— Eu sempre falo que, quando as pessoas estão no leito de morte, elas nunca falam que queriam ter ganhado mais dinheiro, mas que queriam ter aproveitado mais a vida. É um lema que eu levo. Quero aproveitar ao máximo a vida porque ela é feita de experiências.
Do outro lado, Marina carrega uma história de superação. Depois de anos cuidando da mãe doente, ela descobriu que a vida é curta demais para esperar.
— Após o falecimento da minha mãe, pude ver que queria viver tudo o que a vida poderia me oferecer. A gente não vive para sempre, então temos que olhar e experimentar tudo. Depois do mochilão que fizemos, tive coragem. Acho que a palavra certa é coragem e não ter medo do desconhecido — conclui.
Após o Alasca, Marina e Alan também devem seguir viajando pelo Canadá e Estados Unidos.
— Vamos ver como reagiremos ao frio. Sabemos que podemos ficar até outubro no Canadá. Depois entramos nos Estados Unidos. Dependendo da imigração, do tempo que derem para nós, ficaremos o máximo que pudermos — prevê.
A aventura do casal é registrada através de vídeos no YouTube. A viagem pode ser acompanhada neste link.

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